Estreia do Festival de Artes Cênicas encanta aracajuanos em noite de espetáculos

Os trajes extravagantes, coloridos e carregados de simbologias culturais já davam sinais de que o semblante da noite desta quinta-feira, 16, no Centro Cultural de Aracaju, seria torneado pela arte. Se a beleza dos espetáculos já era suficiente para tornar a noite importante, este dia também ficará marcado na história como a estreia do I Festival de Artes Cênicas de Aracaju – projeto idealizado e agora executado pela Prefeitura de Aracaju, por intermédio da Fundação Cultural Cidade de Aracaju (Funcaju).

Em cima da Praça General Valadão, sob o encantador jogo de luzes do Centro Cultural, foi montado um palco que será o elo entre artistas e público, ao longo das próximas quatro semanas de realização do Festival, fortalecendo a chama de retomada cultural – que acontece graças ao avanço da imunização contra a covid-19 e queda no número de casos e óbitos da doença na capital sergipana.

Da mesma forma em que se preocupou em promover um Festival belo e histórico, a Prefeitura de Aracaju se certificou de criar um ambiente seguro, de cumprimento com rigor das medidas sanitárias, como exigência de máscara facial, distribuição de totens com álcool em gel, e disponibilização de assentos com distanciamento social para o público que foi à Praça nesta noite.

Para o presidente da Funcaju, Luciano Correia, o festival marca um momento importante para a cultura aracajuana.

“Com o primeiro Festival de Artes Cênicas de Aracaju, a Funcaju começa a resgatar uma dívida com as artes cênicas, com o teatro principalmente, que é um movimento muito forte, que tem uma tradição histórica, muito rica em Sergipe e em Aracaju. E agora, através desse projeto, nós vamos inundar a nossa cidade com mais de 80 espetáculos de artes cênicas. Isso mostra que a gente fez a aplicação correta da Lei Aldir Blanc, que levou não só o fomento aos artistas, mas que está entregando importantíssimo e relevantes projetos para a sociedade com os recursos”, enaltece Luciano.

Na plateia, crianças, adultos e idosos se misturavam em uma alquimia de aracajuanos entusiastas da arte. Mas também houve visitantes de outros municípios, caso de Gabriela Andrade, que veio em uma caravana de Lagarto. Ela lembra que nem mesmo a chuva dissipou a plateia. “Está sendo extremamente importante e empolgante para a gente, com tudo muito lindo, surreal. Nem a chuva conseguiu barrar nossa empolgação. Na verdade dizemos que foi um efeito especial, né? Um efeito da natureza. Esse tipo de projeto eu acho extremamente importante, principalmente para nós, que estudamos cultura popular”, destaca a estudante.

Quando o tráfego de pessoas no centro comercial ainda era de aracajuanos saindo do trabalho, a primeira atração do Festival de Artes Cênicos subia ao palco. Cecé Vieira, com o seu espetáculo ‘História das danças populares de Sergipe’, por volta das 17h atraiu os primeiros olhares para a estrutura montada em frente ao Centro Cultural. A artista destacou a oportunidade promovida pelo projeto.

“Eu sou muito grata por isso, porque através disso eu consegui montar o meu grupo de teatro, começamos a ensaiar, e hoje chego com a proposta de trazer aqui para o público três histórias interessantes, dos nossos municípios, do São Gonçalo de Estância o e o Reisado de Japaratuba e de Itabaiana. São histórias que fazem uma montagem em uma linguagem mais aproximada com o público”, detalha Cecé.

Durante a apresentação de Cecé Vieira na praça, já se desenhava não só um cenário cultural, mas também de renda para inúmeros comerciantes que estavam ao redor do palco.

A noite seguiu com o espetáculo de dança oriental de Flávia Kahyna, intitulado de ‘A Arte da Dança do Ventre’. Quem estava sentado, foi praticamente obrigado a levantar na coerção artística que estava em cena.

“Esse processo de retomada cultural está sendo sensacional, e fico feliz de poder contribuir com minha arte. Espero que o Festival de Artes Cênicas perdure por mais anos, porque sempre será uma satisfação contribuir”, pontua a artista.

Às 19h, quando o jogo de luzes já era soberano na Praça General Valadão, foi a vez do autêntico teatro subir ao palco. O espetáculo ‘De canoa e de rede’, de Rodrigo Vieira, com atuação de Ivo Adnil, no Teatro João Costa, retratou a essência do Festival de Artes Cênicas, levando ao conhecimento de muitos aracajuanos uma produção teatral de qualidade e genuinamente sergipana.

A noite especial foi encerrada com a apresentação da Banda Téssera, sob o comando do vocalista Bruno Kelverneck, em um repertório de rock das décadas de 60, 70 e 80, coroando uma sequência de espetáculos extraordinários, e anunciando que é apenas o começo de um festival, que vem para ser pilar no calendário cultural de Aracaju.