Representatividade e diversidade movimentaram Centro Cultural nesta sexta-feira

O mês de outubro em Aracaju iniciou com muita cultura. Cinema, teatro e música fizeram parte da programação da terceira semana do Festival de Artes Cênicas promovido pela Prefeitura Municipal de Aracaju, através da Fundação Cultural Cidade de Aracaju (Funcaju).

Abrindo as apresentações da noite, houve a exibição do curta Caminhos da Noite, com direção e roteiro de Douglas Oliveira e Direção de Arte de Carol Barros, que narra a história de Athur e Davi, jovens que ao saírem de uma pista de skate perdem o último ônibus da noite e precisam encarar o que a madrugada reserva em meio a acontecimentos inesperados na noite de Aracaju.

Duas peças de teatro foram apresentadas na noite de hoje. A primeira, no palco montado na praça General Valadão, o Grupo Raízes, com 47 anos de existência, apresentou a peça “A chegada de Lampião no Inferno”.

Segundo Mamute Teixeira, ator e assistente de direção da peça, “é um espetáculo que já foi apresentado diversas vezes, mas sempre trazendo modificações, contatando a história de Lampião e Maria Bonita, por onde eles passaram, do céu ao purgatório até encontrarem um cantinho que eles possam descansar e viver pela eternidade passando nesses caminhos por São Pedro até o Capeta”, explica.

Questionado sobre a importância do Festival de Artes Cênicas, Mamute ressalva que “passamos por um momento muito desconfortante na pandemia para com os artistas, mesmo tendo em alguns casos a plateia online, mas não é a mesma troca de experiência. Ficamos muito felizes em fazer parte desse momento”, reforça o ator.

Para a jornalista Ana Marinho, 33, frequentadora do Festival de Artes Cênicas desde o primeiro dia, o evento está sendo um sucesso. “Estou achando bem legal. É um festival super importante para incentivar a cultura da cidade e a cultura nordestina que faz parte do nosso processo histórico. Eu adorei a peça, pois trouxe temas bem relevantes e atualizados, mesmo falando da história de Lampião e do nosso povo, acaba passando por vários campos do ser nordestino em significados da política atual”, conclui.

Em seguida, já no Palco do Teatro João Costa, trazendo toda a cor e excentricidade da cultura afro, o Coletivo Hecta apresentou o espetáculo Sankofa, uma ´Dinka´africana que traz o significado de “Volte e recupere o que perdeu”.

Para o ator Éden Brisio, 31, que faz parte do Coletivo há 12 anos, “Sankofa trata da nossa história, da nossa ancestralidade, que é bem diferente daquilo que é aprendido na escola. Sankofa é, sobretudo, a explicação do nosso passado antes mesmo do processo de escravidão; é um retorno à nossa religiosidade, à nossa humanidade, ao nosso corpo, à nossa voz. Nós trabalhamos com o Teatro de Terreiro onde nós reproduzimos todas as teatralidades encontradas nos cultos afro-religiosos como elementos da estética teatral, as danças como preparação física, retomando a nossa memória e o nosso direito de existir, com o objetivo de lembrar que essa união e essa memória é que nos traz força e resistência para a sobrevivência dos nossos valores”, explica.

No encerramento da noite, e com o público presente de volta ao palco da praça General Valadão, o cantor Igor Rodsi deu o tom final da alegria. Com um repertório de músicas autorais e reeleituras de hits do rock-pop nacional e internacional, o cantor animou o público presente.

Para o cantor, “é uma oportunidade de apresentar o nosso trabalho autoral que estamos produzindo durante todo o ano”. “São 17 canções que vamos lançar e hoje pudemos apresenta-las ao público. Esse calor humano estava fazendo falta. Mesmo todo mundo de máscara, respeitando os espaços, é incrível voltar aos palcos num festival, mostrando o melhor da arte da nossa cidade, para que as pessoas nos conheçam cada vez mais. Estão vindo dois videoclipes por aí e esperamos que isso solidifique ainda mais a cena cultural da cidade”, completa o cantor.

Em continuidade à programação Cultural de Aracaju, teremos mais uma edição da Feirinha da Alfândega juntamente com o Festival de Artes cênicas, tudo isso a partir das 13h no Centro Cultural de Aracaju. Você acompanha a programação completa no site maratonaculturalaju.com.br ou no instagram @funcaju.